domingo, 28 de abril de 2013






   Era como uma vaga de mar bravo, sô doutor. Grande e forte,  a mal ninguém o levava! Estava sempre pelo lado do dirêto, da justiça. Por bem, 'té a uma criancinha ele respêtava. Mas por mal quando tinha rezão...

         Foi ali. Ali, naquele mar azul-cinza, é que ele desapareceu para sempre. Era o melhor pescador à linha da frota bacalhoeira portuguesa.
         Naquela manhã, tal como nas outras, saíra com o seu barquito, o seu «dóri», para a pesca individual... Ele e os compa­nheiros. Mas estes, enquanto a tarde caía, com mais ou menos bacalhau, lá foram voltando ao navio, uns após os outros, Ele não. Nunca mais: Talvez a névoa cerrada... Talvez a canoa viesse demasiadamente cheia: se ele era o primeiro, entre os pesca­dores!... Talvez... talvez...      
        Lá ficou. Para sempre.
        Sozinho, naquele mar sem fim!!
       Ninguém viu o terror do seu último olhar. Ninguém ouviu os seus gritos, as suas súplicas...
       Era jovem, forte, generoso!...

   Foi ali mesmo naquele ma!

      E tu, Oceano, não o dizes, não o gritas! não estás marcado, mar!? Nem uma cicatriz indelével, feita com as sombras da noite mais negra, nem uma coluna eterna de sal... Nada.
Liso, calmo, como sempre cinzento-azulado...: Ah, mar, tenho-te medo e raiva!
Quem? Quem este ano?!...

Nos Mares do Fim do Mundo
Bernardo Santareno

terça-feira, 23 de abril de 2013

NÃO VOLTES, JOÃO! NÃO VOLTES!







Na sessão do dia 18 de Abril lemos várias passagens do livro de Bernardo Santareno "NOS MARES DO FIM DO MUNDO".
Aqui fica um desses textos, bem expressivo do estilo do autor:


CHAMADA DE URGÊNCIA

Foi no «Bissaia Barreto». Mensagem angustiosa do capitão, pela telefonia: Um homem de convés ferido, com uma faca de escalar. Golpe fundo, hemorragia abundante.
Imediatamente, os dois navios, o «Bissaia» e o «Melgueiro», recolheram as redes e largaram ao encontro um do outro, com a rapidez possível. Num instante, eu e o enfermeiro nos apron­támos. Quanto a mim, ansioso, mesmo aflito: Qual a gravidade autêntica do caso? Poderia resolver?...
Uma vez convenientemente aproximados os dois barcos, era ainda necessário percorrer, num pequeno bote, o mar que os separava: ondas altas, mas ainda não verdadeiramente perigosas. Neve caindo sempre, cada vez mais cerrada. Gelo disperso pelo mar, em pequenos blocos.
Lá fomos. Escuros de névoa, o céu, o mar e o ar; escura tam­bém a minha alma, de apreensão.
Mal chegado, levaram-me logo para uma minúscula enfer­maria: a minha ansiedade crescia, dolorosa. No beliche único, um homem novo estendido. Sangue nas roupas do ferido, nas cobertas da cama, até no chão. Observei o golpe: a faca passara entre as costelas, um pouco abaixo da ponta do coração. Hemo-pneumotórax? Pela auscultação, pareceu-me que sim.
Então, fixei profundamente o doente: cerca de vinte anos, pálido de anemia e de angústia, dois olhos grandes límpidos e macerados, finos os lábios convulsivamente apertados...
Tentativa de suicídio, é claro.
Na carne branco-azulínea do peito estreito, logo abaixo do coração, aquela flor de fogo tinha qualquer coisa de marca sagra­da, de mutilação ritual: marca de inadaptados, frágeis, solitários e desesperados.
Mandei esterilizar o material, para fazer a sutura da ferida: O rapaz, assustado, seguia-me com a vista... Por fim, o receio quebrou-lhe o mutismo:
Vai coser?...
Sosseguei-o: não sentiria nada. Pobre mocito! Impossível não o acarinhar: era uma criança! E as pestanas enormes lutavam para reter a paixão das suas lágrimas...
Soube que, frequentemente, sucumbia a ataques espasmódi­cos, durante os quais perdia os sentidos: epiléptico? Agora, um sentimento dominava toda a sintomatologia: um medo patológi­co, um entranhado terror, contra o mar e principalmente contra o seu navio. Um só desejo, este frenético: voltar para terra.
Dentro de meia hora, um outro barco, o «Pádua», partia para reabastecimento em St. John's:
Queres ir no «Pádua»?...
Os olhos do rapaz encheram-se-lhe de aleluias...
Suturado o ferimento, preparei-o para a viagem com coa­gulantes e analépticos. Chamava-se João. E foi para St. Johns, vi-o eu partir! Com uma delicadeza esquisita, os companheiros levaram-no em braços até ao bote, que havia de o conduzir ao outro navio: o rosto de cera, cinzentos os lábios, nos olhos febris uma ânsia obstinada, às vezes um pavor gelado...
Adeus, João! Voltarei a encontrar-te? Que será de ti?... Pronto, ei-lo chegado ao «Pádua»... Agora, içam o bote ... Ainda o vejo muito bem: na cabeça, um carapuço infantil, dos que têm borla no alto... Adeus! Boa sorte, rapazinho!
Vejam com que alma ele cravou a faca no peito!: Um moço tão jovem, tão grácil, quase belo?!... Que Nossa Senhora te acompanhe, João! E não voltes! Não voltes! Não voltes!!
O mar não gosta de ti, meu filho: Ele só quer aqueles que o dominam; e tu não podes. Não voltes para o mar: esconde-te na noite fresca que nasce da sombra das árvores, mistura a tua carne com a terra generosa e firme, deixa-te perder nos ares com o perfume da hortelã, dos cravos e das laranjeiras em flor...
Não, não queiras voltar. E vai com Deus, João!
*

Quando regressámos ao «David Melgueiro», o mar estava mais bravo, a neve fustigava-nos com mais raiva, e a noite des­cia rápida. Riscando a cinza negra deste mundo desolado, cor­tando céu e mar, um traço rubro, indelével e sangrento: uma ferida de Sol-poente, nesta paisagem vítrea...

 in: NOS MARES DO FIM DO MUNDO, B. Santareno, Edições Ática, Lisboa, 1999.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

COM BERNARDO SANTARENO "NOS MARES DO FIM DO MUNDO"


20ª SESSÃO                                                                                                        18 ABRIL 2013


 







Os velhos marinheiros dos Descobrimentos portugueses deram lugar, no final do séc. XIX e até meados do séc. XX, aos intrépidos pescadores da Terra Nova. O que foi essa saga imensa, sofrida, muitas vezes trágica, ficou plasmado nas páginas de Bernardo Santareno, que foi médico assistente da frota bacalhoeira. Ele o diz na "Nota de abertura" do seu livro:







«Nota — Nos Mares do Fim do Mundo foi, em grande parte, escrito a bordo do arrastão «David Melgueiro», na primeira cam­panha de 1957, a primeira também em que eu servi na frota bacalhoeira portuguesa, como médico. Mas depois desta, tomei parte numa segunda, em 1958, agora a bordo do «Senhora do Mar» e do navio-hospital «Gil Eannes», em que assisti sobretudo aos barcos de pesca à linha: Assim pude de facto conhecer, por vezes intimamente, todos os aspectos da vida dos pescadores bacalhoeiros portugueses, em mares da Terra Nova e da Gronelândia, e comple­tar este livro.»

Neste blogue encontrei notícias e fotos muito interessantes e elucidativas sobre a pesca do bacalhau.. Ver AQUI:http://restosdecoleccao.blogspot.pt/2010/06/pesca-do-bacalhau_08.html

quarta-feira, 10 de abril de 2013

"NÓS SOMOS AHAB"


19ª SESSÃO                                                                                                   11 ABRIL 2013





1. Leitura do texto de Harold Bloom "Nós somos Ahab" (ver na PÁG. 3 deste blogue)

2. LEITURA DE EXCERTOS DO LIVRO MOBY DICK

    Diz H. Bloom: "Por mais extensa que seja, a obra está contida na dialéctica destes três capítulos:
42, 119 e 132.

Cap. 42: "A brancura da baleia" (pg. 223, ed. Relógio d'Água). Ismael, personagem e narrador, faz uma dissertação sobre o significado da brancura no na nossa cultura. e no nosso imaginário.

Cap. 119: "As velas" (pg. 535). "Tomamos pleno conhecimento da espiritualidade de Ahab" (H. Bloom)

Cap. 132: "A sinfonia" (pg. 577). "O lado humano de Ahab" (id)

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Gregory Peck (1916-2003) foi o Capitão Ahab de MOBY DICK, realizado por John Huston em 1956.










Versão em DVD (2006) da adaptação de Francis Ford Coppola.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

INÍCIO DO 3º PERÍODO


18ª sessão                                                             4 ABRIL 2013

PROPOSTA PARA O 3º PERÍODO:

4 ABR – Propostas: Conferência sobre a chegada dos portugueses ao Japão; Visita ao Museu 
              Marítimo de Ílhavo. 
              Início da abordagem de Moby Dick, de Herman Melville

11 ABR – Moby Dick (continuação)

18 ABR – Nos Mares do Fim do Mundo, de Bernardo Santareno. A pesca do bacalhau.
                   
                   ( 25 ABR e 2 MAI – não há “VIAGENS…”)

9 MAI – Nos Mares do Fim do Mundo… Preparação para visita ao Museu Marítimo de Ílhavo
                 
16 MAI – Viagens de estrangeiros em Portugal: livro de Carl Ruders
23 MAI – Idem: livro A Formosa Lusitânia

29 MAI – Última sesão: Memórias das VIAGENS COM PALAVRAS. 


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DESENVOLVIMENTO:

Na abordagem ao livro Peregrinação de Fernão Mendes Pinto fez-se referência aos 470 anos que passam em 2013 sobre a data da chegada dos portugueses ao Japão.



Em 1988 o Comandante Rui Sá Leal da Marinha de Guerra Portuguesa chefiou uma missão de diplomacia cultural ao Japão com o navio conhecido por Lorcha Macau, da qual possui documentação muito interessante e que se dispõe a mostrar. Por isso é oportuno realizar uma sessão pública na nossa Associação em que o senhor Comandante falará sobre essa missão e a chegada dos portugueses ao Japão. Será feita em data a marcar.


A Lorcha  MACAU

Por outro lado, na sequência do estudo do livro Moby Dick, será feita a abordagem da obra No Mares do Fim do Mundo, de Bernardo Santareno, cuja temática é a vida dos marinheiros na pesca do bacalhau. Assim, foi apresentada e aprovada a proposta de visita ao MUSEU MARÍTIMO DE ÍLHAVO, com o seu recém-inaugurado Aquário dos Bacalhaus e o navio bacalhoeiro musealizado, a qual será realizada em data a estudar com a Direcção.

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Distribuição e leitura da folha LUGAR ONDE, sobre Moby Dick:





MOBY DICK

Um livro de múltiplas leituras
                     A  obstinação do Homem

                     A luta contra os elementos da Natureza
                     O Leviatã da Bíblia ( Job, 40, 25-32; 41, 1-26)
                     O Mostrengo / o Adamastor...
 
                     Uma versão do Quixote?
                     A luta pela sobrevivência (Pescadores da Terra Nova)
                     Uma imagem da América (Novo Mundo)

domingo, 31 de março de 2013

UM GRANDE CLÁSSICO DA LITERATURA UNIVERSAL

MOBY DICK




Dizer que se trata de uma história de caça à baleia em que o capitão Ahab procura vingar-se de um primeiro encontro com o monstro que lhe arrancara uma perna é demasiado simplista. Este livro, como todas as grande obras, tem uma multiplicidade assombrosa de leituras.
Harold Bloom, conhecido crítico literário americano, tem grande paixão por este livro que considera a epopeia da América. "Moby Dick é o paradigma ficcional do sublime americano" - escreve no seu "Como ler e porquê", (Ed. Caminho, 2001).

O capitão Ahab é o herói-vilão trágico que arrasta para a morte a tripulação do seu navio, o Pequod. Mas ela, se o pressente, não recua, porque a morte é apenas uma possibilidade remota. A vida é uma viagem e nunca sabemos a duração dela - tal como a tripulação do velho baleeiro. A viagem do Pequod acaba por ser longa e aventurosa,  como a vida dos velhos. Embora saibamos que o fim é inevitável, mantemos a esperança de que algo sobreviva - e o mesmo sucede com a tripulação. E isso acontecerá, deixando ao leitor uma porta aberta para a esperança ou para a eternidade.

Será Ahab a personagem central? Não sei e esse desconhecimento é, para mim, o grande fascínio deste livro. O velho capitão está presente mas distante como horizonte de um destino ameaçador. Ismael, o jovem narrador, é que está perto de nós e o seu desejo ingénuo de aventura protege-nos do terror de nos encontrarmos face a face com o homem da perna mutilada. Desde os primeiros capítulos, em que nos confessa as suas manias e nos leva à estalagem misteriosa onde se vê deitado na cama com um índio tatuado e aterrorizador, tornamo-nos cúmplices do seu embarque no Pequod e vamos acompanhá-lo até ao fim. Embarcamos com ele e não temos alternativa senão seguir pelos mares sem fim, participar nas perigosas caçadas às baleias, aprender as manhas da vida a bordo, conhecer os caracteres fascinantes do pequeno cosmo humano da tripulação.

É célebre o primeiro parágrafo de Moby Dick:


Tratem-me por Ismael. Há alguns anos — não interessa quando — achando-me com pouco ou nenhum dinheiro na carteira, e sem qual­quer interesse particular que me prendesse à terra firme, apeteceu-me voltar a navegar e tornar a ver o mundo das águas. É uma maneira que eu tenho de afugentar o tédio e de normalizar a circulação. Sempre que sinto um sabor a fel na boca; sempre que a minha alma se trans­forma num Novembro brumoso e húmido; sempre que dou por mim a parar diante de agências funerárias e a marchar na esteira dos funerais que cruzam o meu caminho; e, principalmente, quando a neurastenia se apodera de mim de tal modo que preciso de todo o meu bom senso para não começar a arrancar os chapéus de todos os transeuntes que en­contro na rua — percebo então que chegou a altura de voltar para o mar, tão cedo quanto possível. É uma forma de fugir ao suicídio. On­de, com um gesto filosófico, Catão se lança sobre a espada, eu, tran­quilamente, meto-me a bordo. E não há nisto nada de extraordinário. Embora inconscientemente, quase todos os homens sentem, numa al­tura ou noutra da vida, a mesma atracção pelo oceano.


Aos "Viajantes" destas "Viagens com Palavras" deixo o convite: aventurem-se a ir com Ismael. Eu vou convosco.


quarta-feira, 13 de março de 2013

A ÍNSULA DIVINA - Ilha dos Amores / A PEREGRINAÇÃO DE FERNÃO MENDES PINTO


14 MARÇO 20
17ª SESSÃO


Vasco da Gama na Ilha dos Amores
(OS LUSÍADAS, ed. Morgado de Mateus, Paris, 1817.
desenho de A.- J. Desenne; gravura de Richomme)



«Oh! Que famintos beijos na floresta,
E que mimoso choro que soava!
Que afagos tão suaves, que ira honesta,
Que em risinhos alegres se tornava!
O que mais passam na manhã e na sesta,
Que Vénus com prazeres inflamava,
Melhor é experimentá-lo que julgá-lo;
Mas julgue-o quem não pode experimentá-lo.»

(estr. 83, Canto IX)

1.
a) - Contextualização do episódio na obra.
b) - O lugar da mitologia em OS LUSÍADAS, segundo António José Saraiva
c) - Leitura de alguns excertos














2. 
a) - Fernão Mendes Pinto: o anti-herói épico?
b) - Leitura de excertos da PEREGRINAÇÃO




Algumas imagens do Power Point utilizado nesta sessão:







Nota: Ver textos de apoio na PÁGINA 3.

quarta-feira, 6 de março de 2013

EPISÓDIO DE INÊS DE CASTRO

16ª SESSÃO                                                                                                             7 MARÇO 2013



Súplica de Inês - Eugénie Servières


1 - Contextualização histórica e antecedentes literários 
         Estrutura do episódio:
      
                      > Introdução (est. 118 -119)
                      > Desenvolvimento (est. 120 - 132)
                      > Conclusão e considerações do narrador

2 - Obras posteriores sobre Inês de Castro


OS LUSÍADAS - Episódio de Inês de Castro

in: OS LUSÍADAS, edição organizada por
António José Saraiva;Livraria Figueirinhas, Porto
3ª ed., 2006

Clicar para aumentar:











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Nota:

É notória a alteração à planificação proposta no início destas sessões.
Tal deve-se:
          - às  características do grupo de "viajantes" e à sua receptividade. 
          - às interrupções verificadas e às limitações de horário

Dado que só haverá mais uma sessão antes da interrupção da Páscoa, finalizaremos a abordagem a'OS LUSÍADAS nessa última sessão.










quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

EPISÓDIO DO ADAMASTOR

15ª SESSÃO

28 FEVEREIRO 2013


OS LUSÍADAS
Canto V

Escultura de Júlio Vaz Júnior, 1927 - Alto de Santa Catarina, Lisboa



Recordemos o soneto de Bocage:



Adamastor cruel! De teus furores 
Quantas vezes me lembro horrorizado! 
Ó monstro! Quantas vezes tens tragado 
Do soberbo Oriente os domadores! 

Parece-me que entregue a vis traidores 
Estou vendo Sepúlveda afamado, 
Co'a esposa e co'os filhinhos abraçado, 
Qual Mavorte com Vénus e os Amores. 

Parece-me que vejo o triste esposo, 
Perdida a tenra prole e a bela dama, 
Às garras dos leões correr furioso. 

Bem te vingaste em nós do afoito Gama! 
Pelos nossos desastres és famoso. 
Maldito Adamastor! Maldita fama! 


Bocage, in 'Rimas', séc. XVIII


Passemos ao famoso episódio no Canto V, estr. 37- 60:

Estr. 37 

(...)
Quando ûa noite, estando descuidados,
Na cortadora proa vigiando,
Ûa nuvem, que os ares escurece,
Sobre nossas cabeças aparece.

até

Estr. 60

Assi contava; e, cum medonho choro,
Súbito d'ante os olhos se apartou.
Defez-se a nuvem negra, e cum sonoro
Bramido, muito longe o mar soou.
(...)




Finalizemos com o poema de Fernando Pessoa:

O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou trez vezes,
Voou trez vezes a chiar,
E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«El-rei D. João Segundo!»

«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou trez vezes,
Trez vezes rodou immundo e grosso.
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-rei D. João Segundo!»

Trez vezes do leme as mãos ergueu,
Trez vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer trez vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quere o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
D' El-rei D. João Segundo!»


in: MENSAGEM, F. Pessoa, 1934






quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Filipa Pais - Praia das Lágrimas



Do álbum VOZ & GUITARRA, de Filipa Pais.
Letra: Carlos Tê
Música: Carlos Tê e Rui Veloso

Uma bonita canção que vem a propósito...

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

A PRAIA DAS LÁGRIMAS / O VELHO DO RESTELO




Partida de Belém





Velho do Restelo / Óleo de Columbano, 1904, Museu Militar de Lisboa


* * *

IMAGENS DA APRESENTAÇÃO DA SESSÃO DO DIA 7 FEVEREIRO:




















segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA







HISTÓRIA DA LITERATURA PORTUGUESA, António José Saraiva e Óscar Lopes; 17ª ed, Porto Editora

Continua a ser uma obra indispensável para quem queira estudar a nossa Literatura, Apesar de ter sido publicada pela primeira vez nos anos 50 do séc. XX, tem vindo a ser revista e actualizada.

De sublinhar o rigor da abordagem, a contextualização histórica e as referências bibliográficas,  a propósito de cada época e cada autor.

Na Página 3 transcrevem-se algumas páginas sobre os LUSÍADAS.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

13ª e 14ª SESSÕES - 7 / 21 FEVEREIRO 2013








13ª SESSÃO - 7 Fev.


LUÍS DE CAMÕES

              . à maneira de um herói homérico?
              . o que se sabe da sua vida?
              . qual o contexto histórico em que viveu?

QUAL PREFERIMOS? O ÉPICO OU O LÍRICO?

              . «As armas e os barões assinalados...»
              . «Alma minha gentil que te partiste...»
              . «Estavas linda Inês posta em sossego...»



14ª SESSÃO - 21 Fev.

A GRANDE VIAGEM

              . A despedida na "praia das lágrimas"... (O velho do Restelo)
              . Os perigos... (O Adamastor / O Mostrengo )

A CHEGADA
                . « (...) achar em Portugal
                  este país que se perdeu de mar em mar»


quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

BIBLIOTECA INFINITA - Um projecto enriquecedor


    http://alt1040.com/2008/11/la-biblioteca-infinita


Caros Viajantes das Palavras:

“Biblioteca Infinita é um Projecto ligado à promoção do livro e da leitura e em que se procura dar a conhecer aos mais novos os livros que fizeram as delícias dos seus avós, enfim, de livros que saídos do coração de uns, devem agora percorrer caminhos para chegarem ao coração dos mais novos.”

No início do ano propus-lhes a participação neste projecto que me pareceu muito interessante e no qual a Direcção da AUTITV está muito empenhada. Trata-se de uma parceria com a Fábrica das Histórias / Casa Jaime Umbelino, na qual ambas as instituições saem necessariamente enriquecidas, na sua missão de promover a leitura e o diálogo  inter-geracional.

O que se pretende? 
Peço-vos para reverem o texto informativo que distribuí na nossa 3ª sessão e que aqui transcrevo:



BIBLIOTECA INFINITA

Projeto d'A Fábrica das Histórias
           Memórias e notas sobre "O Meu Querido Livro"
Atenção:
      •       Procure na sua memória um livro que a/o tenha marcado na sua infância e
             juventude
       se não tem na sua posse o livro da sua infância, tente procurar numa biblioteca, peça a um amigo ou familiar, procure na Internet ou peça a quem possa fazê-lo por si (por exemplo peça aos seus filhos ou netos para o(a) ajudarem).
       se for totalmente impossível encontrar o seu querido livro enquanto objeto e se considerar que foi muito importante para si e quer partilhar este facto com as crianças de hoje, faça uma pesquisa sobre o livro para procurar responder aos conteúdos das alíneas B,C e D (se for possível) e preencha as alíneas E e F com as suas memórias;
A - Identificação do leitor (dono ou não) do Livro
O meu nome:
A minha morada:
B - Identificação do Livro
Título:
O(s) autor(es):
A editora:
O n2 da Edição:
O local da Edição:
O número de páginas:
A classificação da obra:
Aventura_____ Conto__ Biografia____ Ficção científica  Policial  Romance.
Banda desenhada____ Poesia___________ Outra. Qual   
O local onde se encontra atualmente:
C - Breve síntese sobre o autor do livro
O nome do autor:
O ano de nascimento (e morte se for o caso): A nacionalidade: Exemplos de outras obras:
Informação complementar que contribui para conhecer melhor o autor:
D - Identificação do conteúdo do livro
A minha breve síntese sobre o conteúdo do livro (personagens: quais são; o que fazem; qual é e como é a mais importante...) (local: onde se passa; como é o espaço/lugar...) (tempo: quando acontece...) ( enredo: a ideia principal do livro; outras ideias...) (...)
A identificação e a descrição das citações e/ou excertos mais relevantes para mim

E - "O Meu Querido Livro"
(O ano em que li o livro; a idade que eu tinha quando li o livro; o local onde eu residia quando li o livro; a classe
que eu frequentava; como tive acesso ao livro (oferecido, comprado, emprestado por um amigo, na biblioteca,...);
imagem que guardo do livro (formato, capa, tipo de folhas, colorido ou não, imagens...); o que aprendi com o livro;
quais as "marcas" que me deixou; quais são os meus sentimentos quando penso no livro; o que significa ainda
hoje na minha vida; porque é que o considero "O meu querido livro";..)
F - Desenhar as minhas imagens
As minhas 3 cenas/imagens do livro e as legendas

Obrigado por partilhar o seu querido livro e as suas memórias com os mais novos!
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Recordo:

1 - Este texto é apenas um guião facilitador, não é para ser seguido rigorosamente. Por exemplo: o ponto F destina-se, evidentemente, a quem tem facilidade ou gosto em desenhar...

2 - Este pequeno trabalho que aqui se pede deverá estar concluído em 7 de Março, dia em que mo podem entregar na sessão das Viagens com Palavras.

Vamos a isto?

Obrigado