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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

8ª SESSÃO - 3 JANEIRO 2013


1 - Falámos na realização da VIAGEM CULTURAL a Santarém ( Fundação Passos Canavarro) e Alpiarça ( Casa-Museu dos Patudos, de José Relvas), no próximo dia 17 de Janeiro  (ver PÁGINA 2  deste Blog)

2 - Foi distribuída uma ficha de apoio (duas páginas) com um esquema da organização do livro VIAGENS NA MINHA TERRA, (do livro AULA VIVA - Português A - Ensino Secundário - 12º ano, de João Fonseca Guerra e José da Silva Vieira, Porto Editora, 1995):



(clicar para aumentar)


2 - Continuámos a leitura de excertos das VIAGENS...
      Cap. VII:

«O café é uma das feições mais características de uma terra. O viajante experimentado e fino chega a qualquer parte, entra no café, observa-o, examina-o, estuda-o, e tem conhe­cido o país em que está, o seu governo, as suas leis, os seus costumes, a sua religião.
Levem-me de olhos tapados onde quiserem, não me des­vendem senão no café; e protesto-lhes que em menos de dez minutos lhes digo a terra em que estou, se for país sublunar.
Nós entrámos no café do Cartaxo, o grande café do Car­taxo; e nunca se encruzou turco em divã de seda do mais esplêndido café de Constantinopla com tanto gosto de alma e satisfação de corpo, como nós nos sentámos nas duras e ásperas tábuas das esguias banquetas mal sarapintadas que ornam o magnífico estabelecimento bordalengo.
Em poucas linhas se descreve a sua simplicidade clássica: será um paralelogramo pouco maior que a minha alcova; à esquerda, duas mesas de pinho; à direita, o mostrador envi­draçado, onde capeiam as garrafas obrigadas de licor de amêndoa, de canela, de cravo. Pendem do tecto, laboriosa­mente arrendados por não vulgar tesoura, os pingentes de papel, convidando a lascivo repouso a inquieta raça das moscas. Reina uma frescura admirável naquele recinto.
Sentámo-nos, respirámos largo, e entrámos em conversa com o dono da casa, homem de trinta a quarenta anos, de fisionomia esperta e simpática, e sem nada do repugnante vilão ruim que é tão usual de encontrar por semelhantes lugares da nossa terra.
Então que novidades há por cá pelo Cartaxo, patrão?
Novidades! Por aqui não temos senão o que vem de Lisboa. Aí está a Revolução de ontem...
Jornais, meu caro amigo! Vimos fartos disso. Diga-nos alguma coisa da terra. Que faz por cá o...
O mestre J. P., o alfageme?
Como assim o alfageme?
Chamam-lhe o alfageme ao mestre J. P.; pois então! Uns senhores de Lisboa que aí estiveram em casa do Sr. D. puseram-lhe esse nome, que a gente bem sabe o que é; e ficou-lhe, que agora já ninguém lhe chama senão o alfageme. Mas, quanto a mim, ou ele não é alfageme, ou não o há-de ser muito tempo. Não é aquele, não. Eu bem me entendo.”
 (Excerto do Cap. VII das VIAGENS NA MINHA TERRA)


a) Referência às marcas do "romantismo": 
                       - relevância aos ambientes populares
                       - tom coloquial
                       - escolha de um assunto especial, ligado à Idade Média: a figura do alfageme; 
                         ligação à lenda que Garrett utilizou na sua peça O ALFAGEME DE SANTARÉM,   
                         escrita alguns anos antes das Viagens; os valores tradicionais da honra e da 
                         justiça, patentes nessa lenda medieval.
                

     b) Contemporaneidade das VIAGENS:
                            - Leitura comentada de dois textos sobre o tema dos CAFÉS, de autores dos nossos 
                              dias, António José Forte e George Steiner.

«OS CAFÉS | Locais de encontro, de convívio, de crítica, de conspira­ções até, os Cafés de Lisboa contribuíram grandemente para a sobrevivência de uma cultura à margem da cultura oficial.
Nos Cafés, apesar da vigilância fascista sempre presente, falava-se, discutia-se, por vezes sem quase prudência. Desde a anedota política, passando pelas teses sobre arte e literatura, até ao plano acabado de Revolução, tudo os Cafés possibi­litaram.
Palavras ausentes da Imprensa e da Rádio, palavras rigo­rosamente proibidas pela polícia faziam parte do vocabulário quotidiano das conversas dos Cafés.
Numa época em que o acesso ao livro normal era difícil e perigosa a leitura da obra revolucionária, os Cafés, através dos seus frequentadores, proporcionaram que títulos não fos­sem esquecidos e temas novos conhecidos e discutidos. Na maior parte dos casos conheciam-se os livros, menos pela lei­tura directa do que pela informação prestada por um amigo, às vezes por um conhecido de ocasião.
Os Cafés foram, de certo modo, centros naturais e espon­tâneos de uma resistência mental activa.
Talvez se pudesse falar mesmo de uma cultura oral, ur­bana, nascida e desenvolvida nos Cafés.
Os revolucionários de Café, os políticos de Café, os intelectuais de Café, foram expressões utilizadas sobretudo com o objectivo de minimizar uma forma de vida, incipiente, é certo, mas persistente e livre.
Afinal, num meio asfixiante, numa cidade policiada em todos os sentidos, foram desses revolucionários, políticos e intelectuais ditos de Café que saíram verdadeiros revolucio­nários, políticos e intelectuais.
A palavra, o pensamento estavam nos Cafés.»

António José Forte, UMA FACA NOS DENTES,      
Parceria A.M. Pereira, 2ª ed. Lisboa, 2003


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        «A Europa é feita de cafetarias, de cafés. Estes vão da cafetaria preferida de Pessoa, em Lisboa, aos cafés de Odessa frequentados pelos gangsters de Isaac Babel. Vão dos cafés de Copenhaga, onde Kierkegaard passava nos seus passeios concentrados, aos balcões de Palermo. Não há cafés antigos ou definidores em Moscovo, que é já um subúrbio da Ásia. Poucos em Inglaterra, após um breve período em que estiveram na moda, no século xvin. Nenhuns na América do Norte, para lá do posto avançado galicano de Nova Orleães. Desenhe-se o mapa das cafetarias e obter-se-á um dos marcadores essenciais da «ideia de Europa».
O café é um local de entrevistas e conspirações, de debates intelectuais e mexericos, para o flâneur e o poeta ou metafísico debruçado sobre o bloco de apon­tamentos. Aberto a todos, é todavia um clube, uma franco-maçonaria de reconhecimento político ou ar-tístico-literário e presença programática. Uma chá­vena de café, um copo de vinho, um chá com rum assegura um local onde trabalhar, sonhar, jogar xa­drez ou simplesmente permanecer aquecido durante todo o dia. É o clube dos espirituosos e a poste-restante dos sem-abrigo. Na Milão de Stendhal, na Veneza de Casanova, na Paris de Baudelaire, o café albergava o que existia de oposição política, de libe­ralismo clandestino. Três cafés principais da Viena imperial e entre as guerras forneceram a agora, o locus da eloquência e da rivalidade, a escolas adversárias de estética e economia política, de psicanálise e filosofia. Quem desejasse conhecer Freud ou Karl Kraus, Musil ou Carnap, sabia precisamente em que café procurar, a que Stammtisch tomar lugar. Danton e Robespierre encontraram-se uma última vez no Procope. Quando as luzes se apagaram na Europa, em Agosto de 1914, Jaurès foi assassinado num café. Num café de Gene­bra, Lenine escreveu o seu tratado sobre empiriocriticismo e jogou xadrez com Trotsky.

Note-se as diferenças ontológicas. Um pub inglês e um bar irlandês têm a sua própria aura e mitolo­gias. O que seria da literatura irlandesa sem os bares de Dublin? Onde, a não existir o Muséum Tavern, teria o Dr. Watson encontrado Sherlock Holmes? Mas estes estabelecimentos não são cafés. Não têm mesas de xadrez, não há jornais à disposição dos clientes, nos seus suportes próprios. Só muito recentemente o próprio café se tornou hábito público na Grã--Bretanha, e mantém o seu halo italiano. O bar ame­ricano desempenha um papel vital na literatura ame­ricana e em Eros, no carisma icónico de Scott Fitzgerald e Humphrey Bogart. A história do jazz é inseparável dele. Mas o bar americano é um santuá­rio de luzes desmaiadas, muitas vezes de escuridão. Vibra com música, muitas vezes ensurdecedora. A sua sociologia e o seu tecido psicológico são permeados pela sexualidade, pela presença — desejada, sonhada ou real — de mulheres. Ninguém redige tomos fenomenológicos à mesa de um bar americano (cf. Sartre). As bebidas têm de ser renovadas, se o cliente quiser continuar a ser desejado. Há «seguranças» que expulsam os indesejáveis. Cada uma destas caracterís­ticas define uma ética radicalmente diferente daquela do Café Central ou do Deux Magots ou do Florian.
«Haverá mitologia enquanto existirem pedintes», de­clarou Walter Benjamin, um connaisseur apaixonado e peregrino de cafés. Enquanto existirem cafetarias, a «ideia de Europa» terá conteúdo.»

Georges Steiner, A IDEIA DE EUROPA
Gradiva, Lisboa, 2005


segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

7ª SESSÃO - 6 DEZEMBRO





 CARACTERÍSTICAS DO ROMANTISMO

Exploração do quadro iniciado na sessão anterior.
Leitura de excertos dos primeiros cap. das VIAGENS. Ficámos no cap. V
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Bibliografia:

História da Literatura Portuguesa, A. J. Saraiva e Óscar Lopes; Porto Editora, 16ª ed.
Dicionário da Literatura Portuguesa, Org. António Manuel Machado; Edit. Presença, 1ª ed, 1996


3ª SESSÃO - 8 NOVEMBRO


Como se viajava no séc. XIX em Portugal?
Cruzamento de referências textuais...



VIAGENS NA MINHA TERRA

Às vezes, passo horas inteiras 
Olhos fitos nestas braseiras, 
Sonhando o tempo que lá vai; 
E jornadeio em fantasia
Essas jornadas que eu fazia
Ao velho Douro, mais meu Pai.

Que pitoresca era a jornada!
Logo, ao subir da madrugada,
Prontos os dois para partir:
- Adeus! adeus! é curta a ausência,         
Adeus! - rodava a diligência
Com campainhas a tinir!

E, dia e noite, aurora a aurora,
Por essa doida terra fora,
Cheia de Cor, de Luz, de Som,
Habituado à minha alcova
Em tudo eu via coisa nova,
Que bom era, meu Deus! que bom!

Moinhos ao vento! Eiras! Solares!
Antepassados! Rios! Luares!
Tudo isso eu guardo, aqui ficou:
Ó paisagem etérea e doce,
Depois do Ventre que me trouxe
A ti devo eu tudo que sou!

No arame oscilante do Fio,
Amavam (era o mês do cio)
Lavandiscas e tentilhões...
Águas do rio vão passando
Muito mansinhas, mas, chegando
Ao Mar, transformam-se em leões!

Ao Sol, fulgura o Oiro dos milhos!
Os lavradores mai-los filhos
A terra estrumam, e depois
Os bois atrelam ao arado
E ouve-se além, no descampado
Num ímpeto, aos berros: - Eh! bois!

E, enquanto a velha mala-posta,
A custo vai subindo a encosta
Em mira ao lar dos meus Avós,
Os aldeãos, de longe, alerta,
Olham pasmados, boca aberta...
A gente segue e deixa-os sós.

Que pena faz ver os que ficam!
Pobres, humildes, não implicam,
Tiram com respeito o chapéu;
Outros, passando a nosso lado,
Diziam: "Deus seja louvado!"
"Louvado sejal" dizia eu.

E, meiga, tombava a tardinha... 
No chão, jogando a vermelhinha, 
Outros vejo a discutir.
Carpiam, místicas, as fontes... 
Água fria de Trás-os-Montes 
Que faz sede só de se ouvir!

E, na subida de Novelas,
O rubro e gordo Cabanelas
Dava-me as guias para a mão:
Isso... queriam os cavalos!
Que eu não podia chicoteá-los...
Era uma dor de coração…

Depois, cansados da viagem,
Repousávamos na estalagem
(Que era em Casais, mesmo ao dobrar... )
Vinha a Srª Ana das Dores
"Que hão de querer os meus Senhores?
Há pão e carne para assar..."




Oh! ingénuas mesas, honradas!
Toalhas brancas, marmeladas,
Vinho virgem no copo a rir...
O cuco da sala, cantando. . .
(Mas o Cabanelas, entrando,
Vendo a hora: "É preciso partir").

Caía a noite. Eu ia fora,
Vendo uma estrela que lá mora,
No Firmamento português:
E ela traçava-me o meu fado
"Serás Poeta e desgraçado!"
Assim se disse, assim se fez.

Meu pobre Infante, em que cismavas,
Por que é que os olhos profundavas
No Céu sem-par do teu País?
Ias, talvez, moço troveiro,
A cismar num amor primeiro:
Por primeiro, logo infeliz...

E o carro ia aos solavancos.
Os passageiros, todos brancos,
Ressonavam nos seus gabões:
E eu ia alerta, olhando a estrada,
Que em certo sítio, na Trovoada,
Costumavam sair ladrões.

Ladrões! Ó sonho! Ó maravilha!
Fazer parte duma quadrilha,
Rondar, à Lua, entre pinhais!
Ser Capitão! trazer pistolas,
Mas não roubando, - dando esmolas
Dependuradas dos punhais ...

E a mala-posta ia indo, ia indo.
o luar, cada vez mais lindo,
Caía em lágrimas, - e, enfim,
Tão pontual, às onze e meia,
Entrava, soberba, na aldeia
Cheia de guizos, tlim, tlim, tlim!

Lá vejo ainda a nossa Casa
Toda de lume, cor de brasa,
Altiva, entre árvores, tão só!
Lá se abrem os portões gradeados,
Lá vêm com velas os criados,
Lá vem, sorrindo, a minha Avó.

E então, Jesus! quantos abraços!
- Qu'é dos teus olhos, dos teus braços,
Valha-me Deus! como ele vem!
E admirada, com as mãos juntas,
Toda me enchia de perguntas,
Como se eu viesse de Belém!

- E os teus estudos, tens-me andado?
Tomara eu ver-te formado!
Livre de Coimbra, minha flor!
Mas vens tão magro, tão sumido...
Trazes tu no peito escondido,
E que eu não saiba, algum amor?

No entanto entrava no meu quarto:
Tudo tão bom, tudo tão farto!
Que leito aquele! e a água, Jesus!
E os lençóis! rico cheiro a linho!
- Vá, dorme, que vens cansadinho.
Não adormeças com a luz!

E eu deitava-me, mudo e triste.
(- Reza também o Terço, ouviste?)
Versos, bailando dentro em mim...
Não tinha tempo de ir na sala,
De novo: - Apaga a luz! - Que rala!
Descansa, minha Avó, que sim!

Ora, às ocultas, eu trazia
No seio, um livro e lia, lia,
Garrett da minha paixão...
Daí a pouco a mesma reza:
- Não vás dormir de luz acesa,
Apaga a luz! ... (E eu ainda... não!)

E continuava, lendo, lendo...
O dia vinha já rompendo,
De novo: - Já dormes, diz?
- Bff!... e dormia com a idéia
Naquela tia Dorotéia,
De que fala Júlio Dinis.

Ó Portugal da minha infância,
Não sei que é, amo-te a distância,
Amo-te mais, quando estou só...
Qual de vós não teve na Vida
Uma jornada parecida,
Ou assim, como eu, uma Avó?

[António Nobre
Paris, 1892]


* * * 

A DEITA


«O quarto de Henrique era arranjado com simplicidade. Um alto leito de almofadas na cabeceira e rodapé de chita, tão alto que se não dispensava o auxílio de cadeira para trepar acima dele, uma cómoda com um pequeno espelho, um baú, um lavatório e duas cadeiras mais, constituíam a mobília toda.
Henrique de Souselas sentiu a falta de mil pequenos objectos de toucador, a que estava habituado. Aquele estritamente necessário não lhe prometia grandes confortos.
Deitou-se. A roupa da cama era de linho alvíssimo e respirava um asseio e frescura convidativos: os travesseiros, de largos folhos engomados, possuíam ma moleza agradável às faces; o colchão de penas abatia-se suavemente sob o peso do corpo fatigado. Henrique conchegou a roupa a si; à falta de velador, pousou o castiçal no travesseiro, e, abrindo um livro que trouxera de Lisboa, pôs-se a ler, para obedecer a um hábito adquirido.
Não teria ainda lido um quarto de página, quando ouviu a voz da tia Doroteia, que lhe dizia de fora da porta:
— Ó menino, tu já te deitaste?
— Já, sim, tia Doroteia.
— Olha se tens cautela com a luz. Eu tenho um medo de fogos!
— Esteja descansada, tia. Eu apago já.
— Então será melhor. S. Marçal nos acuda. E afastou-se, rezando ao santo.
Henrique continuou a ler.
Daí a pouco a mesma voz:
— Tu já dormes, Henriquinho?
— Não, tia, ainda não durmo.
— Olha que não vás adormecer sem apagar a luz. Eu tenho um medo de fogos! Não descanso enquanto não vejo tudo apagado em casa.
Henrique perdeu a paciência.
— Pois pode sossegar, olhe.
E apagou a vela, meio zangado.
— Fizeste bem, fizeste bem; isto já é tarde, e é melhor fazer por dormir. Então, muito boas noites.
— Muito boas noites — respondeu Henrique quase amuado; e ajeitando--se na cama, dizia consigo: — E esta! Já vejo que nem ler me é permitido aqui. Olhem que vida me espera! É isto o que me devia curar? Que fatalidade!
Dentro em pouco os dois felpudos cobertores de papa, únicos que con­servava dos cinco primitivos, começaram a fazer o seu efeito, insinuando nos membros cansados da jornada um agradável calor. Convidavam ao sono o som da água num tanque que ficava por debaixo das janelas do quarto e as gotas da chuva, que dos beirais do telhado caíam compassadas na tábua do peitoril.
A noite sossegara. De quando em quando apenas algumas lufadas de vento, já menos impetuosas, faziam bater as vidraças.
Eram como estes estados, que sucedem a um choro aberto. Correm ainda algumas lágrimas nas faces, mas já não brotam novas dos olhos: saem ainda do peito os soluços, porém mais espaçados; dentro em pouco será completa a serenidade.
Henrique começou a experimentar uma languidez, um delicioso bem-estar naquele confortável leito e no meio daquele sossego; fecharam-se-lhe enfraque­cidos os olhos, e deslizou suave, insensivelmente, no mais profundo, tranquilo e restaurador sono, que, havia muito tempo, tinha dormido.»


A MORGADINHA DOS CANAVIAIS
Júlio Dinis
Cap. I